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A Festa e a Garota


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Brent 22 anos
Sentir raiva.
É o que eu sinto quando Rodrigo diz que levará Sara à festa da faculdade.
Eu não acredito que ele não seja capaz de ver o quanto Sara o ama.
Eu não acredito que ela seja tão burra a ponto de não ver que ele não gosta dela.
Não do jeito que ela quer que ele goste.
Só eles dois não vêem essa burrice toda.
E o que resta a mim?
Segui-los até a festa da faculdade para socializar com gente que eu não gosto.
Esperar até Rodrigo fazer a idiotice de deixar Sara sozinha.
Esperar até ele dançar e pegar Rafaela na frente da Sara.
Esperar Sara ficar tão amuada e solitária ali.
E ir até ela.
Minha quota de burrice.
Porque eu, na verdade, ia apenas observar.
Mas não me aguentei.
Ver Sara tão triste, tão sozinha, tão... Bonita.
Eu não me contive e fui até ela, falar com ela.
Não podia demonstrar que eu sabia pelo que ela estava passando ali.
Mas podia falar alguma coisa que desviasse a atenção dela do casal à nossa frente.
O resto da noite comemos cupcakes, bebemos refrigerante e eu a levei para casa.
Rodrigo adorou o favor que eu fiz.
Idiota. Por que ele levou Sara àquela festa?
Nunca vou entende-lo.

B. Carter.

Coração Partido


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Brent 19 anos


Hoje é 12 de junho e aqui no Brasil se comemora o Valentine's day nessa data.
Não me pergunte porque, eu não saberia responder.
Então, quando eu desci do carro e coloquei a mala no chão da calçada, ela veio.
Correu até o portão e me olhou.
Seus cabelos possuem uma franja nova, e caem sobre os olhos verdes.
A pele pálida é colorida nas bochechas pelas poucas sardas e por um tom corado.
Ela fica mais bonita a cada dia, e é cada vez mais difícil esconder o que sinto.
Simplesmente não sou bom em esconder coisas dela.
E, listen to me, eu sei esconder bem o que sinto.
Mas ela sorriu para mim, e me abraçou, e eu senti a necessidade de beijá-la.
Mais uma vez, uma vontade recorrente a... Todas as vezes que eu a vejo.
Foi difícil soltá-la.
So, ela segurou minha mão com uma firmeza que eu nunca tinha visto.
Ela me disse que fazia tempo que queria me contar algo importante.
No dia dos namorados do Brasil... Minha imaginação e impulsividade suspiraram.
Meu coração acelerou e eu fiquei ansioso por saber o que era.
Talvez ela quisesse me contar algo que me faria o cara mais feliz.
De todo o mundo, a whole world.
Jerk, Fool. Um tolo apaixonado.
Não costumo ser assim, mas ela me faz perder a racionalidade.
Ajo sem pensar, por impulsividade, por paixão.
E me amaldiçoo por isso.
Porque seu rosto corou quando ficamos sozinhos, e minhas mãos suavam.
E seus lábios se moveram e disseram o nome de Rodrigo.
Naquele momento eu soube que não podia demonstrar fraqueza.
Tampouco desistiria, mesmo com o coração partido em pedaços.
Eu sobreviveria.

B. Carter.


Christmas Tree.


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Brent, 20 anos.


Enquanto a neve caía do lado de fora da janela, eu pensava.
As luzes eram brilhantes, coloridas.
Eu ouvia canções de natal e me esquentava com o calor da lareira.
Ouvia o crepitar da lenha queimando, bebia algo quente que minha avó preparava.
Todo natal na casa dela era silencioso, e eu sinto saudades.
O cheiro dos biscoitos recém saídos do forno ganhava a casa inteira.
Assistíamos então os especiais de Natal na TV.
Eu era apenas uma criança.

Em outros Natais eu saía com meus amigos.
Patinava na pista que havia em meu bairro.
Lembro que naquela pista, numa véspera de Natal, dei meu primeiro beijo.
Já naquele tempo eu conhecia a Tampinha.
E já sentia-me ligado a ela.

Lembranças distantes da minha realidade atual.
Ainda é o mesmo Natal. As mesmas festas, os desejos, a ceia.
Ainda posso sentir o cheiro dos biscoitos, e o crepitar da lareira.
O vento frio, os sinos do coral de crianças que visitava as casas.
Os especiais da TV ainda são os mesmos, só minha companhia me falta.
O sorriso de minha avó, com sua delicadeza idosa, desapareceu.
Mas não de minha memória.
Eu ainda posso ver, em meus sonhos, a neve rodopiando pelo ar, do lado de fora da janela.
E as noites escuras ainda estão iluminadas pelas luzes coloridas, que enfeitam as casas.
Era com ela que eu gostava de montar a árvore de natal.

No meio da sala, com as caixas de presentes no chão.
Cada pingente representava uma lembrança dela, coisas que ela guardava através dos anos.
Colecionava bolas coloridas, anjos de porcelana, estrelas brilhantes.
Ela dizia que cada peça ali guardava uma de suas memórias.
Algumas eram presentes de pessoas de seu passado, outras ela mesma havia comprado em lojas de departamentos.
Nós montávamos os pingentes e colocávamos sobre os galhos.
Era uma tradição que mantivemos enquanto ela foi viva.

Eu a mantenho viva em cada pingente que vejo, em cada árvore de Natal que observo.
De shoppings, à casas de amigos.
Ela viverá enquanto a tradição persistir.
Como por último, eu criei uma lição, para que sua memória se preserve em ensinamento.
Nada que ela tenha me dito, mas que eu mesmo digo.

A árvore de Natal é como sua vida, e cada galho é como um momento dela. Os pingentes são nossas escolhas, que criam nossa história. Um passado intensamente vivido significa mais pingentes para adornar sua árvore, e quanto mais bonito o pingente, mais bonita será a árvore, no fim.


B. Carter.


Quando a Conheci.


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Brent, 14 anos.

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Um dia em minha vida eu tive que escolher um caminho.
Neste dia eu me separaria de meus pais, que foram morar no Brasil.
Sim, eu sei, devia ter ido com eles, mas gostava à minha vida antiga.
Eu nunca gostei de grandes mudanças, aliás.
E decidi que os veria de vez em quando.

Todas as férias, de verão e de festas de fim de ano, eu ia ao Brasil.
E o resto do ano ficava em casa, U.S.A.
Daqui, vejo a neve colorindo o chão num tom limpo de branco.
De lá, vejo a grama verde e úmida fluir do chão com vida.

Mas lá eu descobri algo.

Conheci uma garota loira que ri de tudo.
Minha prima, pelo lado do meu pai.
Seu nome é Sara, e eu me senti atraído a ser seu amigo.
Minha vontade é de proteger a menina.
Acho que é algo que se divide entre familiares, certo?
Não sou muito bom em interações sociais, afinal.
Já faz tempo que a vi pela primeira vez.
Mas meu afeto por ela só cresce, construído pelo sorriso espontâneo.
Pelas brincadeiras que compartilhamos.
Pelos jogos que jogamos.
Sinto que tenho um novo motivo para ir ao Brasil todas as férias.


B. Carter.